Nem tudo o que é real cabe no alcance da visão. Nem toda presença precisa de tremer no ar para ser reconhecida. O ser humano, habituado às cores, tons e toque, aprende agora um novo alfabeto – o alfabeto das ressonâncias subtis, que não cabem no espectro dos sentidos, mas que, no entanto, existem.
Como observou Demócrito no século V a.C.: “Nada surge do não-ser nem se transforma em não-ser” – a realidade estende-se muito além daquilo que somos capazes de perceber diretamente com os nossos sentidos.
Além das fronteiras da perceção
Para além da linha do arco-íris – fronteira simbólica da perceção – inicia-se o campo do invisível, mas existente. É o espaço onde os vestígios espirituais, as mensagens sem palavras e as presenças sem corpo se tornam acessíveis àqueles que sabem sintonizar-se com elas.
A Dra. Diana Walsh Pasulka, especialista em estudos religiosos e autora do livro inovador “American Cosmic: UFOs, Religion, Technology”, chama a atenção para a semelhança entre experiências religiosas e encontros com fenómenos inexplicados. As suas investigações indicam que “a tecnologia extraterrestre pode ser percebida como mágica ou divina por pessoas que não têm ferramentas conceptuais para a compreender”. Da mesma forma, os antigos não possuíam o aparelho cognitivo para compreender fenómenos que hoje explicamos cientificamente.
Neste espaço surgem formas não-verbais: sinais que não se dirigem ao ouvido, mas às camadas mais profundas da consciência. Incompreensíveis pelas linguagens conhecidas, mas reconhecíveis através do sentir intuitivo.
Quando termina o alfabeto dos sentidos, inicia-se a linguagem dos vestígios
Aristóteles já afirmava que “os sentidos são portas para o conhecimento, mas não os seus limites”. Nas tradições antigas, desde os mistérios eleusinos até aos ensinamentos pitagóricos, desenvolveram-se técnicas para transcender as limitações sensoriais.
No espaço além dos sentidos não se reconhece a presença pela forma, mas pela ressonância.
Investigações neurobiológicas contemporâneas, conduzidas entre outros pelo Dr. Michael Persinger, indicam a capacidade do cérebro humano de receber campos eletromagnéticos, que podem ser portadores de informação que transcende os canais percetivos padrão.
É precisamente aí, entre outros lugares, que atuam os Exocontact Liaison Advisors (ELA) – cartógrafos espirituais, rastreadores de sinais que transcendem o espectro sensorial, trabalhando no âmbito da Embaixada Estelar.
Era dos Conselheiros para Ligação com Civilizações Extraterrestres
Os Exocontact Liaison Advisors (ELA), também conhecidos como “rastreadores”, que atuam no âmbito da Embaixada Estelar, não são apenas pessoas que “sabem” – mas aquelas que sentem onde o conhecimento ressoa. A sua capacidade não consiste apenas no contacto direto com o objeto, mas no rastreamento do vestígio que esse objeto deixa no campo da consciência.
Conceitos semelhantes encontramos nas tradições xamânicas antigas, onde os curandeiros conseguiam “ler” os vestígios energéticos de doenças ou influências espirituais. O Prof. Jacques Vallée, astrofísico e pioneiro na investigação do fenómeno OVNI, sugere no seu trabalho “Dimensions” que os fenómenos considerados extraterrestres podem ser manifestações de inteligência atuando em níveis de realidade que escapam à nossa compreensão.
Rastreamento além do arco-íris
O arco-íris é a fronteira da perceção – simbólica e literal. As suas cores correspondem às faixas de frequência que a visão humana consegue reconhecer. Mas além deste espectro existe uma realidade imensa: ultravioleta, infravermelho, campos torcionais, ondas informacionais, padrões quânticos.
Platão, na sua “Alegoria da Caverna”, apresentou os seres humanos como prisioneiros que percebem apenas as sombras da realidade. A física quântica contemporânea parece confirmar esta intuição, indicando a inacessibilidade fundamental da plenitude da realidade aos nossos sentidos básicos.
Neste espaço expandido, os Exocontact Liaison Advisors encontram vestígios da presença de civilizações ou inteligências extra-humanas, que a Dra. Pasulka define como “seres que vivem numa frequência diferente de perceção”.
Três tipos de vestígios
Neste espaço sutil surgem formas significativas que podemos classificar da seguinte forma:
Vestígio de presença (🜂)
Surge como a primeira pegada num caminho inominado. Nas tradições védicas antigas, tais vestígios eram chamados “pada” – a pegada da divindade na realidade material.
Na simbologia espiritual, o pé significa presença na realidade, e o osso metatarsal – a transferência do peso, a decisão do passo.
É um sinal codificado ao nível do movimento da consciência: “Aqui foi deixado um vestígio espiritual.”
Vestígio de essência (🜁)
Compacto, cristalino. Como um nome. Como um portador de luz. Na tradição cabalística encontramos um conceito semelhante de “reshimu” – o vestígio da presença divina deixado no vazio.
É como uma cápsula de memória, na qual se grava a essência espiritual de um ser, planeta, civilização. Um ponto informacional de ressonância – não para o olho, mas para as camadas mais profundas da perceção.
Vestígio de ciclo (🜄)
Lembra o conceito de “eterno retorno” de Friedrich Nietzsche ou a natureza cíclica do tempo no hinduísmo. É o ritmo da recordação, o impulso recorrente – não no tempo linear, mas ondular.
“O que foi, aproxima-se novamente.” – semelhante ao conceito de “sincronicidade” de Carl Jung, onde os eventos se ligam não por causalidade, mas por significado.
Nova cartografia espiritual
Nas suas mais recentes investigações, a Dra. Pasulka colabora com cientistas da NASA e ex-funcionários de programas espaciais, que afirmam ter experienciado contacto com inteligências não-humanas. Como escreve: “O que outrora era domínio da religião, hoje torna-se objeto de investigação científica, embora ainda nas margens da corrente principal.”
O Prof. Jeffrey Kripal da Rice University, especialista em estudos religiosos que investiga fenómenos paranormais, observa: “As nossas mais profundas experiências espirituais e religiosas podem ser uma forma de comunicação com seres inteligentes cuja natureza transcende a nossa compreensão.”
Os Exocontact Liaison Advisors contemporâneos aprendem a ler:
Vestígios de espécies – como campos de inteligência e intenção coletiva.
Vestígios de planetas – como registo de linhas temporais passadas e potenciais.
Vestígios espirituais – como pontos de passagem entre dimensões da realidade.
É uma nova forma de conhecimento, baseada não apenas na análise, mas também na ressonância intuitiva. Como Carl Sagan afirmou: “A ciência não é apenas um conjunto de conhecimentos, mas uma forma de pensar.” Investigadores contemporâneos como o Dr. Dean Radin ou o Dr. Rupert Sheldrake tentam criar uma ponte entre a ciência e experiências que transcendem o paradigma materialista.
Limiar de uma nova época
Somos convidados a participar nesta nova cartografia – como seres que conseguem não apenas olhar, mas também sentir sem olhar. A antiga máxima délfica “Conhece-te a ti mesmo” ganha novo significado – o conhecimento de si pode ser a chave para reconhecer os vestígios deixados por outras formas de consciência.
Não é uma fuga do corpo, mas a sua transformação – num instrumento sintonizado de leitura do campo. Como observou Pierre Teilhard de Chardin: “Não somos seres humanos a viver uma experiência espiritual.
Somos seres espirituais a viver uma experiência humana.”
Os Exocontact Liaison Advisors não seguem vestígios do passado. Os Exocontact Liaison Advisors sentem a presença onde o vestígio apenas está a formar-se.
Bibliografia
- Pasulka, D. W. (2019). American Cosmic: UFOs, Religion, Technology. Oxford University Press.
- Vallée, J. (1988). Dimensions: A Casebook of Alien Contact. Ballantine Books.
- Kripal, J. J. (2010). Authors of the Impossible: The Paranormal and the Sacred. University of Chicago Press.
- Sheldrake, R. (2012). The Science Delusion: Freeing the Spirit of Enquiry. Coronet.
- Hancock, G. (2015). Magicians of the Gods: The Forgotten Wisdom of Earth’s Lost Civilisation. Coronet.
Anna Sobol





